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  • Gabriela Garcia

Algumas coisas a tecnologia não muda

Arrogância e grosseria sobrevivem ao tempo e intoxicam ambiente de trabalho

Há trinta anos trabalhando, vi muitas mudanças acontecerem no ambiente corporativo. Comecei redigindo matérias em máquina de escrever e gravando entrevistas em fita K-7, no tamanho convencional. Depois vieram o computador de mesa, enorme, e o gravador com fita K-7 mini, o notebook e o gravador digital, o celular e... o celular, tudo digital.

Havia aparelho de fax, não havia e-mail, nem internet, o que dirá zap e redes sociais. A chegada desses marcos tecnológicos renovou atitudes, crenças e ideias sobre trabalho e relacionamentos no trabalho. Não é regra, mas, em geral, as relações ficaram mais transparentes e democráticas, mais ágeis e informais. A informação é produzida e consumida por mais gente e circula em muitas direções, não só de cima para baixo. E isso muda tudo. Ou quase.

Uma coisa que não mudou é a figura do profissional rude e arrogante. Incrível como esse personagem persiste nas narrativas corporativas. Sozinho, ele consegue azedar geral. Por vezes ele aparece no cliente, por vezes senta ao lado. As pessoas em volta ficam em estado de alerta, tensas ou simplesmente desanimadas, aguardando a próxima “pérola”.

A cada erro, a cada dúvida ou divergência, o grosseirão atua. Chama a atenção dos outros em público, faz críticas pessoais em e-mails coletivos, expressa sua irritação e seu mau humor sem a menor cerimônia, impõe seu ponto de vista como se fosse o suprassumo da inteligência e sabedoria. Tudo em nome de garantir o padrão de qualidade que os demais mortais insistem em esquecer, questionar ou ultrajar.

O sabichão não tem a régua alta, ele é a própria régua. O curioso é que a hiper vigilância e julgamento feroz, no trabalho, em casa, na vida, acabam contribuindo para mais erros porque quando as pessoas ficam inseguras, têm menos energia para acertar. Tente não errar para ver o que acontece? Você erra. E um novo ciclo de grosserias-erros-grosserias é engatilhado.

Acredito que o grosseirão seja duro com ele mesmo. Ele deve ser seu pior juiz, se cobrar um desempenho impossível, ter uma autocrítica severa e sofrer horrores a cada a falha. O que direcionamos para dentro, direcionamos para fora também.

Não sei se esse personagem sairá de cena um dia. Talvez ele seja substituído por um robô mais inteligente, empático e gentil... Tomara!

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